MONSTRO DO PÂNTANO: RAÍZES – VOLUME 2

Por Henry Garrit

Muitos têm como referência a celebrada fase de Alan Moore com o lodoso avatar do Verde, e com razão, afinal de fato foi uma passagem que imergiu o personagem em um denso terror tratando de temas como a espiritualidade, seres sobrenaturais, Céu e inferno, além de infindáveis divagações existenciais sobre uma planta que acreditava ser um homem que amava uma mulher, além de incontáveis outros dramas e certeiras sequencias de horror psicológico.

Muito embora seja considerada irretocável, é sempre bom relembrar que muitos dos elementos utilizados por Moore já existiam nos primórdios do título do personagem, inseridos pelos seus criados Len Wein e Bernie Wrightson, tais como personagens de vital importância como Anton Arcane, Abigail e Matt Cable. Mesmo o conceito mais extraordinário apresentado pelo roteirista britânico, com a descoberta de que o Monstro do Pântano é na verdade um ser vegetal que acredita ser Alec Holland e não o próprio Holland transformado na criatura, já havia sido sugerido sutilmente na história “Os vermes conquistadores“, onde uma raça de seres anelídeos telepatas invadem a mente do monstro e chegam a conclusão de que “A planta pensa… e isso não é natural”.

Esse tipo de história era bem comum nesses primórdios, onde o Monstro teve seu improvável encontro com o Batman em “A noite do morcego“, enfrentava seitas ocultas em vilarejos sinistros onde ofereciam sacrifícios humanos a um ser cósmico claramente inspirado no Cthullu de H. P. LovecraftTerror no túnel 13, a ignorância humana ao não saber lidar com a visita acidental de um alienígena em “A ameaça sideral“, o segundo embate contra o demoníaco Arcane e seus “não-homens” em “O homem que não queria morrer“, as viagens involuntárias da criatura por vários períodos do tempo em “O homem da eternidade“, e a grande conclusão da história engendrada por Wein e Wrightson que ocorre em “A conspiração Leviatã“, que fecha todas as pontas soltas desde o primeiro número do título e serviria com finalização da série, caso ela não tivesse continuidade.

Com as ilustrações geniais de Bernie Wrightson (e do também talentosíssimo Nestor Redondo) e o texto inspirado de Len Wein, essa coleção pode facilmente ser considerada um importante marco das HQs de terror, que certamente ajudou a possibilitar outros títulos similares e até mesmo o surgimento do selo adulto Vertigo, mostrando para a DC  que era possível investir em histórias diferenciadas que fugissem da lucrativa temática dos super-heróis.

Tendo surgido no título “The House of Secrets” como um conto fechado de terror que só  tempos depois viria a ser tornar uma série regular, as histórias do personagem dessa fase sempre flertaram com o tipo de coisa que era feita dentro desse gênero na época, então tínhamos muitas aparições de lobisomens, cientistas loucos fazendo experimentos bizarros em humanos, fantasmas, bruxas e etc. Ainda não havia ali o conceito do Verde, tampouco o rebuscado enredo que Alan Moore e tantos outros autores viriam a explorar mais tarde, mas ainda assim, essas HQs produzidas na década de 70 ainda mantém até hoje sua essência singular e atemporal, podendo ser lidas por qualquer jovem leitor de quadrinhos da atualidade sem que esteja datada ou desinteressante.

Len Wein e Bernie Wrightson cultivaram seu clássico e ele permanece florescendo até hoje, mantendo sua fiel base de fãs e admiradores.

Leia também a resenha de Monstro do Pântano: Raízes – Volume 1 clicando AQUI!

Arte de Bernie Wrightson

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