Patrulha do Destino – A Pintura que Devorou Paris!

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A Patrulha dos Destino foi criada em 1963, por Arnold Drake, com o roteirista Bob Haney e o desenhista Bruno Premiani na 80º edição da revista My Greatest Adventure com a premissa de ser uma transição entre as HQs sobrenaturais do título para o gênero de Super-Heróis. Não por acaso, a equipe tem essa estranheza intrínseca em sua essência desde os primórdios.

O dadaísmo ou movimento dadá (dada) foi um movimento da chamada vanguarda artística moderna iniciado em Zurique, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, no chamado Cabaret Voltaire. Formado por um grupo de escritores, poetas e artistas plásticos – dois deles desertores do serviço militar alemão – liderados por Tristan Tzara, Hugo Ball e Hans Arp.

Embora a palavra dada em francês signifique “cavalo de cepo“, sua utilização marca o non-sense ou falta de sentido que pode ter a linguagem (como na fala de um bebê). Para reforçar esta ideia, estabeleceu-se o mito de que o nome foi escolhido aleatoriamente, abrindo-se uma página de um dicionário e inserindo um estilete sobre ela, de forma a simbolizar o caráter antirracional do movimento, claramente contrário à Primeira Guerra Mundial e aos padrões da arte estabelecida na época. Em poucos anos o movimento alcançou, além de Zurique, as cidades de Barcelona, Berlim, Colônia, Hanôver, Nova York e Paris. Muitos de seus seguidores deram início posteriormente ao surrealismo, e seus parâmetros influenciam a arte até hoje.

“Eu redijo um manifesto e não quero nada, eu digo portanto certas coisas e sou por princípios contra manifestos (…). Eu redijo este manifesto para mostrar que é possível fazer as ações opostas simultaneamente, numa única fresca respiração; sou contra a ação pela contínua contradição, pela afirmação também, eu não sou nem pró nem contra e não explico por que odeio o bom-senso”
Tristan Tzara

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Publicada originalmente em 1989, a reformulação da Patrulha do Destino foi a desconstrução da equipe por Grant Morrison, imergindo-a em um turbilhão onírico de adereços surrealistas e total quebra dos padrões até então estabelecidos para histórias do gênero, mesmo dentro desse título, onde havia um conceito diferenciado, muito embora nos últimos tempos, principalmente na fase escrita por Paul Kupperberg que antecede imediatamente a de Morrison, tivéssemos uma equipe “quase normal” de super-heróis, não que o grupo fosse o exemplo perfeito de fantasiados equilibrados nos padrões da Liga da Justiça.

A Patrulha sempre foi o lar dos desajustados, os diferentes demais para posarem como heróis queridinhos da mídia, mas se uniram em suas desgraças e buscaram apoio entre eles enquanto eventualmente salvavam o mundo. O que Morrison fez foi elevar esse conceito a níveis nunca vistos antes no título, fazendo não apenas deles um grupo de super-heróis ainda mais bizarros, mas uma equipe de esquisitos em um mundo mais estranho ainda.

Abusando de elementos abstratos, poesia e arte, Morrison inseriu ameaças tão improváveis quanto interessantes e as transformou nas surrealistas missões da sua Patrulha do Destino, inovando com ousadia em um campo onde tudo poderia ter dado muito errado… Mas sabem quando dizem que às vezes uma ideia é tão louca que pode até dar certo? Pois bem, isso define o conceito usado nessa célebre fase da equipe.

A PINTURA QUE DEVOROU PARIS usa desses conceitos que parecem não ter sentido, (e provavelmente não têm mesmo), num contexto em que isso simplesmente não importa, pois ficamos tão absortos pelo enredo que simplesmente acreditamos nas mentiras que ele conta. Esses elementos permeiam todas as páginas da revista, e Morrison decide conceder literalidade ao que está mostrando, criando antagonistas que são a própria personificação do movimento, a Irmandade do Dadá , formada por Sr. Ninguém, Sonâmbula, Bruma, Frenesi, e Interrogante, que roubam a cena com seus objetivos exorbitantes, e suas intenções que não são boas nem más. São simplesmente dada.

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A Patrulha invade o quadro em busca da salvação da cidade de Paris devorada por ele, e se depara com uma ameaça ainda maior, o “Quinto Cavaleiro do Apocalipse”, capaz de desfazer tudo o que existe, fato que chama a atenção do Superman e da Liga da Justiça (que na época tinha Besouro Azul, Gladiador Dourado, Homem-Animal, Guy Gardner e outras figurinhas carimbadas) que nada podem fazer ante a catástrofe a não ser torcer para que a equipe de Niles Cauder tenha sucesso. O fato é que só a Patrulha do Destino era louca e estranha o suficiente para lidar com essa crise.

Avançando um pouco, encontramos o grupo tendo que contar com a ajuda de um “Constantine genérico” (estou sendo maledicente?), um templário chamado Willoughby Kipling. Juntos, eles precisam impedir uma seita de decretar o apocalipse ao invocar o próprio “descriador”. Mas não antes de Cliff Steele, adentrar o labirinto da mente de Crazy Jane para resgatá-la dela mesma antes que todas as suas personalidades sejam eliminadas.

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Em outro momento, vemos a transição do Homem-Robô para um novo corpo e a divertida história que mostra o Cérebro e Monsieur Mallah tentando roubá-lo… Simplesmente hilário, digno da fase cômica da Liga da Justiça. (Com a anunciada vinda da série de tevê da Patrulha da Destino, torço para que uma versão dessa história seja gravada).

Sobre a arte: Os desenhos se mantém regulares, com Richard Case tocando bem a bola, mesmo sem ser espetacular, acabou tornando-se sinônimo dessa fase da Patrulha, estando com Morrison desde o começo. Se algumas cenas são um pouco monótonas, em outras ele alcança incrível complexidade, ficando assim com um saldo positivo e justificando sua permanência no título.

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No mais, um encadernado plenamente satisfatório dessa fase ímpar da Patrulha que demorou tantos anos para ser publicada na íntegra no Brasil, mas finalmente chegou, tornando possível desfrutarmos dela em português.

Leia também a resenha do primeiro encadernado: Patrulha do Destino – Rastejando dos Escombros!

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2 comentários sobre “Patrulha do Destino – A Pintura que Devorou Paris!

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