Os Invisíveis – O Reino Invisível

 

 

Certa vez, tendo sido interrogado pelos fariseus sobre quando viria o Reino de Deus, Jesus respondeu: “O Reino de Deus não vem de modo visível,

nem se dirá: ‘Aqui está ele’, ou ‘Lá está’; porque o Reino de Deus está no meio de vocês”.

Lucas 17:20 – 21

Resenha do 8º e último encadernado de Os Invisíveis: O Reino Invisível.

Com roteiro de Grant Morrison e arte de Grant Morrison, Philip Bond, Mark Buckinghan, Rian Hughes, Michael Clark, Dean Ormston, Arnold Pander, Jacob Pander, Steve Parkhouse, Sean Philips, John Ridgway, Cameron Stewart, Jill Thompson, Chris Weston, Ashley Wood, Steve Yeowell e Jay Stephens.

Este é o grande final de uma longa jornada, onde todas as pontas se fecham e somos levados até o dia 22 de dezembro de 2012… O fim do mundo. Certo?

Vamos com calma. Por enquanto a história continua em 1998. Ao mesmo tempo em que ocorre a guerra entre os Invisíveis e os membros da Igreja Externa dos Arcontes, (vocês sabem… Os seres transdimensionais demoníacos empenhados em impedir a libertação espiritual da humanidade) Dane McGowan, vulgo Jack Frost, vem sendo treinado como o messias de uma nova era…  Claro, é preciso impedir que os Arcontes estendam seu controle sobre a Terra até o alardeado “apocalipse”, mas e se a questão não fosse impedir o fim do mundo, mas simplesmente preparar a humanidade para o que vem depois?

Antes de mais nada é preciso entender que existe todo um sub-texto na narrativa de OS INVISÍVEIS, e mais importante; não é que nem tudo seja o que pareça… Nada de fato é realmente o que parece.

Grant Morrison deu a entender em entrevistas que achava que o filme Matrix havia plagiado muitas de suas ideias de Os Invisíveis, muito embora, nunca tenha levado isso adiante num tribunal por gostar dos filmes, ainda que, segundo ele, tenham inviabilizado uma produção cinematográfica com seus personagens, uma vez que esteticamente, ela já tivesse sido feita através da trilogia Matrix. Talvez por isso (e isso é especulação minha) ele tenha decidido a partir de um certo ponto, tomar rumos que afastassem ao máximo possível sua série dos pontos em comum com o filme, enveredando por caminhos ainda menos óbvios, fazendo com que mais ou menos do meio pro final, OS INVISÍVEIS fosse se tornando uma leitura cada vez mais difícil para aqueles que não estivessem imersos na proposta da história (o que incluiu a masturbação coletiva de leitores para a energização de um “Sigil” – longa história – para que a revista não fosse cancelada, o que claramente funcionou!).

Separada em três volumes, é impossível não notar o diferente tratamento narrativo dado a cada um deles. Muitas pessoas lembram da saga de um modo geral como algo complexo, de alta qualidade, mas que “se perdeu” antes de sua conclusão. O fato é que cada arco reflete um determinado estado de espírito do autor, o que não compromete a saga, apenas faz com seja vista por ângulos diferentes enquanto o próprio Morrison buscava algum tipo de resposta nela.

O penúltimo e principalmente o último capítulo, são leituras bem desafiadoras, onde Morrison não facilita a vida do leitor e nos levas por labirintos escuros, longe da maioria de nossos personagens queridos, sem nenhum conforto na viagem. Sim, todos os elementos estão onde sempre estiveram, mas se antes tínhamos a impressão de ler um gibi de super-heróis com um tema complexo, (mas ainda assim um gibi de super-heróis) tudo isso se foi. E essa mentira também cai por terra, porque Os Invisíveis nunca foram super-heróis, não importa o quanto nosso cérebro tentasse ajustá-los dessa forma para que pudéssemos entendê-los.

Após a resolução de suas pendências contra seus inimigos e o acerto de contas entre alguns amigos, a história pula alguns anos, indo para 2012, (o derradeiro ano, lembram?) que parece na verdade o começo de tudo… E dependendo do ponto de vista, foi mesmo. Nesse futuro, vemos o que aconteceu com os personagens após a vitória (da grande batalha mas não da guerra) contra os Arcontes, e suas lutas pessoais ou simplesmente como decidiram tocar suas vidas. Esse é o momento em que eles precisam travar a batalha final e encaminhar o mundo para um estado conhecido como “Supercontexto”, que ocorre justamente no fatídico 22 de dezembro de 2012.

O que é o Supercontexto? Basicamente (e bota basicamente nisso) é um estado espiritual elevado, para o qual Jack Frost, nosso “messias” deverá guiar a humanidade, incutindo a noção de que todas as limitações humanas são amarras autoimpostas e que finalmente chegou o dia da libertação.

Morrison não seria Morrison se não quebrasse a quarta parede, abrindo nela uma passagem pela qual transmite sua mensagem de que todos os esforços dos Invisíveis até então não teriam sido para evitar o “fim do mundo”, mas sim garantir que a humanidade seguisse livre da escravidão imposta pelos Arcontes e de alguma forma tentar preparar as pessoas para esse grande momento de iluminação espiritual.  Sempre foi dito que Jack Frost seria o “messias” dessa nova era, aquele que mediaria a transição entre o fim de tudo o que conhecemos e a vinda da nova realidade.

Nas últimas páginas da história, algumas coisas ficam claras no diálogo de Jack com uma força superior além da nossa compreensão, (e só percebemos sua vinda através das pequenas ausências que surgiam conforme ela se aproximava. – isso fez sentido? – ). As palavras de Jack dão a entender que os humanos viviam de fato numa imensa prisão imperceptível… E esse cárcere era algo que existia apenas em nossa mente, simplesmente porque acreditávamos nele, então basicamente, nós o criamos.  Com o fim de tudo, inclusive da crença nessa “realidade”, as “paredes” desmoronam e a consciência humana transcende para Supercontexto, ficando livre para vivenciar algo que sempre esteve lá… Intocado… E Invisível.

“Não tem diferença entre destino e livre-arbítrio. Eu tô aqui; me botaram aqui, vim aqui. Não tem diferença. Tudo a mesma coisa.”

“Nada termina sem que algo comece.”.

“Então, de que lado você está?”

“Já sabe?”

 


Leia as resenhas anteriores:

Vol. 1 – A Revolução

Vol. 2 – Abocalipse

Vol. 3 – Entropy in the U.K.

Vol. 4 – Infernos Unidos da América

Vol. 5 – Conte até Zero

Vol. 6 – Beijos para Quimper

Vol. 7 – Satãpestade

 

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CAPA IRREALIDADES

2 comentários sobre “Os Invisíveis – O Reino Invisível

  1. oi bom dia  e obrigado

    “Que a força esteja com você!!” (Star Wars) “Longa vida e próspera!” (Spock – Star Trek)  “Nada tema, com o Ivan não há problema!”

    Curtido por 1 pessoa

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