PATRULHA DO DESTINO – SUPERMUSCULATURA

O encadernado SUPERMUSCULATURA reuniu as edições 42 a 50, todas escritas por Grant Morrison, mostrando várias das “estranhezas habituais” da Patrulha do Destino ao invés de (quase) seguir uma única linha narrativa conforme vinha acontecendo nos encadernados anteriores, por isso, vamos falar de cada uma dessas edições separadamente até o comemorativo número 50 do título. As incríveis capas originais são de Simon Bisley e Tom Taggart, enquanto a bela capa da versão encadernada é de Brian Bolland.

Atenção: Contém altas de doses de distorções da realidade!

Ω

Doom Patrol 42 – SUPERMUSCULATURA: A ORIGEM SECRETA DE FLEX MENTALLO

Arte de Mike Dringenberg (Sandman) e Doug Hazlewood 

Um dia um jovem franzino foi abordado por um exótico (homem?) que lhe disse que ele nunca mais precisaria ser humilhado pelos caras mais fortes desde que preenchesse um cupom entregue por ele e aguardasse o chegada do livro MÚSCULOS MISTÉRIO PARA VOCÊ pelos correios! Com os segredos da supermusculatura, ele se tornou Flex Mentallo, o HERÓI DA PRAIA, com poderes capazes de dobrar a realidade tão facilmente quanto flexionava seus músculos. Ele teve então um relacionamento com Dolores Watson (falamos dela na resenha anterior, lembram?) e muitas aventuras ao lado de outros (desconhecidos) heróis até cair no esquecimento. Flex perdeu os poderes e as memórias, refugiou-se em Danny, a Rua (novo membro e QG da Patrulha do Destino), onde passou a ser conhecido como Sr. Cotovelo-na-Mesa, porque insistia em fazer queda de braço com todos que encontrava. Ao ver a Patrulha lutando contra os N.E.N.H.U.R.E.S. sua mente começou a clarear novamente, e ele se lembrou inclusive que precisa impedir uma ameaça vinda do Pentágono.

Morrison referencia aqui antigos anúncios que vinham encartados em gibis e outras revistas, trazendo guias com a promessa de transformar os garotos em máquinas de músculos, mediante o preenchimento de um cupom e o pagamento da taxa, receberiam o segredo dos músculos perfeitos pelos Correios.

Ξ

Doom Patrol 43 – CONTOS INCAUTOS

Arte de Steve Yeowell (Os Invisíveis)

Alguma coisa está errada nos níveis secretos do Pentágono ou são apenas velhas teorias da conspiração fixadas dessa forma para que ninguém dê crédito a elas? Seja como for, todos os métodos de manipulação mental, segredos obscuros, monstros telefônicos e oráculos distópicos estão à disposição de um comando obviamente não muito bem intencionado, e isso se conecta diretamente com Flex Mentallo, que recentemente recobrou suas memórias e seus poderes.

Falando em Flex, finalmente Dolores o reencontrou, porém um ataque dos homens de N.E.N.H.U.R.E.S. ocorre ao mesmo tempo, deixando algumas cicatrizes no herói. A batalha segue desfavorável, até ser interrompida pela chegada do Homem-Robô, Rebis e Crazy Jane que estavam do outro lado do universo. Nenhum segundo de descanso para eles…

Esta história dá sequencia direta a narrativa iniciada anteriormente, nos apresentando a ameaça com a qual a Patrulha terá que lidar a seguir, aprofundando de forma notável os coadjuvantes, Morrison nos faz sentir empatia por alguns dos “vilões” apresentados.

Doom Patrol 44 – VOZES

Arte de Richard Case e Mark McKenna

Prisoneiros de uma obscura sessão secreta do Pentágono, Flex e a Patrulha do Destino precisam decifrar alguns enigmas para vencer seus inimigos. Alguém aí já se perguntou qual a razão do formato de pentágono ter sido escolhido para essa construção, pra começo de conversa? Qual simbologia ele tem, e quais males pode libertar no mundo? Mesmo tendo recuperado seus poderes, Flex ainda se recente por no passado não ter conseguido mudar a forma de algumas figuras geométricas com a flexão de seus músculos e isso pode ser crucial para sobrevivência deles agora.

Quanto mais eles descem pelos corredores, mais segredos vão se revelando e as ameaças crescem exponencialmente. É preciso deixar de lado a racionalidade e agir como heróis de gibis para vencer esses perigos mas quem seria louco de fazer isso?

Mais uma vez Morrison trabalha em cima de temas aparentemente esdrúxulos, criando conflitos críveis para situações absurdas. E não é pra isso que a gente lê a Patrulha do Destino?

Doom Patrol 45 – O CAÇADOR DE BARBAS

Arte de Vince Giarrano e Malcom Jones III

Acompanhamos aqui a história de um lunático chamado Ernert Franklin, numa das histórias mais improváveis que você poderia imaginar e olha que eu estou falando da Patrulha do Destino de Grant Morrison.  Acontece que Ernest acredita ter uma missão sagrada… Exterminar todas barbas do mundo. Isso mesmo, ele caça homens com barba e os mata, guardando suas barbas como troféus. Obviamente o personagem tem sérios distúrbios psicológicos e até mesmo sexuais conforme mostrado em algumas sequencias que sutilmente explicam sua obsessão por pelo faciais masculinos. Soa como uma paródia de Frank Castle, o Justiceiro da Marvel, evidenciando tudo aquilo que o afasta de ser uma pessoa apta a conviver em sociedade.

O caminho do Caçador de Barbas cruza então com o de Niles Caulder, o barbudo líder da Patrulha do Destino, obrigando-o a lutar para sobreviver sem a ajuda de seus pupilos.

Uma coisa fica cada vez mais clara ao ler esse material: Nenhum tema, por mais ridículo que pareça é colocado nessas páginas em vão. O autor nos mostra como dizer coisas importantes usando alegorias cômicas, e cá entre nós, sentiram uma alfinetada no barbadíssimo rival de Morrison, Alan Moore?

Doom Patrol 46 – REPERCUSSÕES

Arte de Richard Case e Mark McKenna

Esse número volta seu olhar para os personagens secundários das histórias anteriores e nos mostra seus desfechos, na medida do possível. Não é todo dia que se vê algo assim, mas Morrison fez questão de retornar até aqueles que poderiam ser considerados personagens menores e nos contou sobre seus “finais felizes”.

Vemos também que agora o Homem-Robô tem novamente um corpo humanoide criado por Niles Caulder, que desprezou a corpo projetado por Will Magnus (criador dos Homens Metálicos). Lembrando que Cliff estava com um corpo aracnídeo desde que voltou do outro universo, só pra contextualizar. Acompanhamos aqui mais um pouco dos conflitos internos dos membros da Patrulha (e olha, são muitos… Mas também, não é pra menos!) e vemos a abertura do caminho para a nova ameaça na forma do Doutor Silêncio, um vilão que resolve adquirir um quadro com uma pintura que certa vez devorou Paris…

Mas antes disso, a Patrulha do Destino deverá lidar com o diabo.

Ψ

Doom Patrol 47 – O MUNDO, A CARNE E O DIABO

Em meio as maquinações do diabo, a Patrulha recebe a visita de um homem com torre de relógio na cabeça; Willoughby Kipling (nosso John Constantine genérico) conversa com um encapuçado sobre o apocalipse; Rebis se despe e faz uma viagem de auto-descoberta; A pintura do Doutor Silêncio se agita; Uma nova personalidade assume o comando de Crazy Jane, e a criação está prestes a ser desfeita.

Essa história jogou muitos elementos no ar, embora eles sejam explorados nas edições futuras, acabou fazendo deste número um verdadeiro caleidoscópio de bizarrices (mais do que o normal).

É como se fosse a preparação para o que virá, o que é bom, pois finca as bases da narrativa, mas pode deixar alguns leitores menos pacientes irritados.

(Pensando bem, esse tipo de leitor não lê Patrulha do Destino).

Doom Patrol 48 – O DESEJÁVEL SR. EVANS

Arte de Richard Case e Mark McKenna

A Terra é invadida pelos Sex Men, atraídos por uma onda sexual exacerbada produzida pelo Sr. Evans, vulgo o diabo em pessoa (me lembrando muito o personagem de Jack Nicholson em “As Bruxas de Eastwick”), se alastrando como um vírus extremamente contagioso entre as pessoas fazendo-as cometer atos libidinosos que vão ficando cada vez mais insanos até se tornarem uma ameaça a segurança de todos.

Felizmente, a nova personalidade dominante de Crazy Jane, Meretriz Escarlate é especialista no assunto e une forças aos Sex Men para enganar o diabo.

Infelizmente Rebis ainda não retornou de sua viagem tântrica (se é que podemos chamar assim) e o Doutor Silêncio está perdendo completamente o controle da sua pintura…

Mais uma história com muitas camadas de referências, indo da Bíblia até os X-Men.

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Doom Patrol 49 – MORTE EM VENEZA

Arte de Richard Case e Scott Hanna

Surge uma nova Sociedade do Dada, e bem a tempo de receber o Sr. Ninguém, recém saído da pintura que devorou Paris, com um novo plano dadaísta para o mundo. Crazy Jane se encontra na estação subterrânea de seu inconsciente fazendo reformas, deixando outras de suas personalidades no comando do seu corpo físico e logo, como integrantes da Patrulha do Destino. Rebis desapareceu dentro de um portal negativo e tudo leva a crer que está passando por uma nova transformação.

E para colocar o mundo aos seus pés, o Sr. Ninguém finalmente conseguiu a bicicleta de Albert Hofmann!

Doom Patrol 50 – CONTOS DE HOFMANN 

Arte de Richard Case, Jamie Hewlett e Rian Hughes


Em comemoração ao quinquagésimo número de Patrulha do Destino, o extrato da equipe é coado várias vezes no mesmo filtro até ficar muito mais espesso, o que significa que os planos de dominação dadaísta da Sociedade do dada continuam rolando solto, a Patrulha é derrotada por eles, e uma nova utopia é colocada em curso. E afinal, se tudo der errado, quem disse que o movimento dada não pode ser a resposta?

Mas Morrison nos mostra isso ao mesmo tempo em que os personagens recebem pequenas e incríveis homenagens com artistas convidados ilustrando essas passagens.

Esperemos para ver qual figura de linguagem dominante surgirá no próximo número…

 

Se liga no Santuário e não perca nenhuma resenha de PATRULHA DO DESTINO!

Vol. 1 – RASTEJANDO DOS ESCOMBROS

Vol. 2 – A PINTURA QUE DEVOROU PARIS

Vol. 3 – RUA PARAÍSO ABAIXO

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