HOMEM-ANIMAL – A ORIGEM DAS ESPÉCIES

Resenha do encadernado Homem-Animal – A Origem das Espécies, com roteiro de Grant Morrison e arte de Chaz Truog, Doug Hazlewood, Tom Grummett, Steve Montano e Mark McKenna.

Publicado no Brasil pela Panini, reúne as edições originais americanas de The Animal Man 10 a 17 e Secret Origins 39.

Grant Morrison foi encarregado de recontar a origem do Homem-Animal pela primeira vez na continuidade pós-Crise nas Infinitas Terras, mas ao invés de seguir o caminho de outros autores que  jogaram novas tintas numa tela em branco, ele revisitou a origem clássica do herói, mostrou-a aos leitores e nos fez pensar junto com ele em como ela não fazia mais sentido. A partir daí ele começou a usar do que seria sua marca registrada neste título: A metalinguagem.

Sem ignorar nada do que ocorreu, Morrison introduz uma dupla de alienígenas amarelos que se apresentam como agentes encarregados de preservar a integridade do continuum, reescrevendo a história a partir das novas lembranças do próprio Buddy Baker, nosso querido Homem-Animal. Eles estiveram adormecidos e deixam claro que nesse período algo terrível aconteceu, abalando a integridade da realidade, sem mencionar o que obviamente foi a Crise. Dentro de todo esse contexto, vemos a origem do personagem como foi narrada em suas edições originais e reinventada para a nova continuidade.

Esses eventos o levam para a África ao lado da heroína Vixen, onde eles enfrentam o enigmático e quase que literalmente unidimensional Hamed Ali, aquele que nunca morre, e finalmente Buddy consegue reajustar seus poderes com o auxílio dos alienígenas amarelos, e a história de sua origem é consolidada. Ainda na África há o reencontro com o Fera Buana. Aqui, Morrison parece querer corrigir  a inconsistência do herói que incorpora o espírito dos animais africanos ser um homem branco e loiro, nos mostrando que ele está prestes a desistir do manto e iniciar um ritual que escolherá seu sucessor. Existiram muitos antes dele, e ele chega a dizer que é apenas o segundo homem branco a ostentar essa honra. O novo Fera Buana escolhido é um preso político chamado Dominic Mndawe e está no meio de um conflito com o governo fascista local, o que permite a Morrison tocar nesse assunto delicado e mostrar um pouco do autoritarismo extremo de algumas regiões contra as populações mais carentes.

Falando em assuntos delicados, várias histórias mostraram de forma tocante os maus tratos sofridos pelos animais pela mão do homem, como na aventura com a personagem Delfim e Done Dorrance, vulgo Demônio do Mar, que apresenta uma monstruosa tradição de um povoado que massacra golfinhos num verdadeiro show de horrores e a crueldade da caça às baleias e suas consequências, além dos laboratórios que fazem testes em animais, muito embora possam ser melhor definidos como verdadeiras sessões de tortura e extermínio. Enveredando por esse caminho, vemos que Buddy fica muito perto de cruzar (ou talvez já tenha cruzado) a linha que separa um militante da causa animal de um terrorista ambiental e esses problemas são mostrados e debatidos, sem a apresentação de uma solução simples, até porque ela não existe. No entanto, trazer o assunto é sempre saudável para informar e conscientizar as pessoas. Quem disse que os quadrinhos também não têm um lado social?

Lembrando que nessa época Buddy integrava a Liga da Justiça Europa, temos uma edição dedicada a explorar a interação dele com seus colegas de equipe, numa descontraída aventura em Paris, onde ao lado de figuras como o Homem-Elástico, Metamorfo e Soviete Supremo, eles enfrentam o perigo das distorções temporais criadas pelo vilão Comandante do Tempo, o que estabelece uma conexão com outros elementos futuros que abordarão o tema de viagem no tempo no título.

Existe todo um pano de fundo sendo jogado em maior ou menor grau nas histórias, envolvendo aparições fantasmagóricos de um Buddy mais velho para sua filha Maxine. Estes elementos usados aqui apenas preparam o terreno para o grande final que Morrison planeja para sua trajetória no título, a qual será aprofundada na resenha do próximo encadernado.

Se liga no Santuário e não perca nenhuma resenha!

Anteriormente em Homem-Animal:

Vol. 1 – O EVANGELHO DO COIOTE.

LEIA também:

Resenha de TODAS as edições de Homem Animal nos Novos 52!

Homem Animal: Espécie Anormal

Homem Animal: Evolua ou Morra!

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