TOM STRONG: A TERRÍVEL VIDA REAL DE TOM STRONG

Bem vindos a mais uma resenha dessa incrível série criada por Alan Moore e Chris Sprouce. Este encadernado nos traz uma coletânea de histórias sem a assinatura de Moore, mas muito bem representado por um time de grandes roteiristas: Mark Schultz, Steve Aylett, Brian K. Vaughan e Ed Brubaker. Chris Sprouce, artista co-criador também não comparece (apenas nas capas), mas também temos um time de peso na arte: Pasqual Ferry, Shawn McManus, Peter Snejbjerg e Duncan Fegredo.

Tom Strong e sua família são “heróis científicos”, termo usado por eles mesmos para definir suas atividades e façanhas, indo muito além de simples aventureiros, são personagens capazes de adentrar desde o mundo dos sonhos a realidades alternativas, fazer pactos com seres capazes de dar ao homem a capacidade de voar em suas máquinas, perscrutar os limites entre a vida como a conhecemos e novas formas artificias de existência e até, quem sabe, em algumas ocasiões, podem fazer uma exploração pelos confins do mundo e descobrir novos segredos sobre as civilizações Inca e Maia…

Esse encadernado explora todas essas possibilidades, com seus autores seguindo fielmente as diretrizes criadas por Alan Moore à Família Strong, deixando ao leitor a sensação de nunca saber o que encontrar nas páginas da revista – e isso é ótimo. Vamos analisar rapidamente cada umas das histórias apresentadas.

O DIA EM QUE TOM STRONG SE RECONCILIOU COM OS CÉUS

Roteiro de Mark Schultz e arte de Pasqual Ferry

Um belo dia, todos os aviões do mundo simplesmente param de funcionar e todas as leis da aerodinâmica como a conhecemos deixam de fazer sentido, e tudo começa justamente no meio de uma apresentação de voo protagonizada por Tom Strong assistida por milhares de cidadãos de Millennium City.

Tom descobre que a capacidade de alcançar os céus foi concedida anos atrás através de um pacto com entidades que controlam a gravidade, e expirado o período estabelecido, tal dádiva foi revogada. Agora cabe a ele e sua esposa Dhalua tentar reverter essa situação.

A história mais inverossímil da edição – eu sei, eu sei, tudo é muito inverossímil em Tom Strong – mas a grande proeza das equipes criativas é alimentar nossa suspensão da descrença e embarcar nas loucuras do personagem, não importa o quanto seja caricato ou exagerado. Apesar de ser uma boa história, pecou um pouco nesse quesito, talvez já tendo em mente que o leitor de Tom Strong sempre acreditará em todos os seus absurdos. E eu creio que não. Precisamos ser conquistados a cada nova edição.

Um ponto interessante é a disputa que existe entre os personagens sobre a autoria do primeiro voo, entre os irmãos Bumpfoil e Sinclair Strong, pai de Tom. Impossível para nós brasileiros não associarmos essa disputa com a polêmica entre os Irmãos Wright e nosso compatriota Santos Dummont, indiscutivelmente o verdadeiro pai da aviação. E ai de quem disser o contrário!

JENNY PÂNICO E A BÍBLIA DOS SONHOS

Roteiro de Steve Aylete e arte de Shawn McManus

Um homem sem rosto chamado Hatfill chega no Forte Strong e pede ajuda a Tom para encontrar a mulher por quem está apaixonado.

Calma, ele tem rosto sim, apesar de se parecer uma ervilha gigante. Mas não é um homem, e sim uma entidade de uma dimensão dos sonhos que caiu de amores por uma garçonete que tem o dom de adentrar o mundo onírico e inconscientemente vem causando vários estragos em Millennium City.

Ótima história onde o velho e cansativo clichê de “na verdade foi tudo um sonho” pode ser usado sem que o leitor se sinta trapaceado!

FOGO NA BARRIGA

Roteiro de Brian K. Vaughan e arte de Peter Snejbjerg

Embora não seja o título oficial da história, traz uma emblemática chamada na capa da edição original:  “I, PNEUMAN”,  em referência a obra do mestre Isaac AsimovI, Robot”, que imortalizou suas leis da robótica e iniciou esse forte movimento da ficção científica, nos levando a refletir sobre o que diferencia aquilo que nos faz humanos de uma máquina inteligente. Os robôs também possuem sentimentos? Ou como diria Philip K. Dick, “Será que os androides sonham com ovelhas elétricas”?

O tema sempre rende boas histórias e não foi diferente aqui. Vaughan usou o mordomo robótico da família Strong de forma exemplar a mostrar o dilema entre servir fielmente seguindo ordens ao pé da letra ou usar de um bom senso humano para se adaptar as situações e contornar suas próprias diretrizes – o que não faria dele, de certa forma, humano?

A TERRÍVEL VIDA REAL DE TOM STRONG

Roteiro de Ed Brubaker e arte de Duncan Fegredo

Contada em dois capítulos, a história que nomeia o encadernado é ambiciosa em explorar um terreno perigoso: Transportar a realidade dos quadrinhos para o mundo real. Brubaker se sai bem, e ainda que não se arrisque demais, consegue dar o recado, sabendo diferenciar habilmente o Tom Strong heroico dos quadrinhos da sua versão realista, e deixa a comparação em si muito interessante, mesmo que a “vida real” seja o mais desinteressante possível em sua narrativa, ainda mais se sobreposta a vida de Tom Strong, a mais excitante que existe. O roteiro é inteligente mas quase me perdeu ao criar uma rotina deprimente demais para o Tom “real”, no entanto, talvez isso deva ser considerado um mérito ao autor que de fato retratou uma existência inócua para o personagem, felizmente usando boas doses de contrapontos para equilibrar essa sensação de desgaste emocional.

Vale citar as pertinentes observações de Tesla sobre as civilizações Inca e Maia, fazendo acender no leitor a sensação primordial que Alan Moore deixou nesse titulo: Não importa o quanto uma história seja fantasiosa, ela tem que parecer real e crível. Não duvidaria se algum dia as conclusões dela sobre esses povos um dia realmente se comprovarem como verdadeiras…

 

Se liga no Santuário e não perca nenhuma resenha!

Anteriormente em TOM STRONG:

Vol. 1 – A Origem

Vol. 2 – Terror na Terra Obscura

Vol. 3 – Invasão! 

Vol. 4 – Como surgiu Tom Stone

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