PATRULHA DO DESTINO – O ÔNIBUS MÁGICO

ERA UMA VEZ uma Patrulha do Destino que vivia numa rua muito, muito distante chamada Danny. Tudo ia muito bem para o pequeno cérebro que pilotava o homem de metal, o ser negativo que habitava o corpo hermafrodita, a menina que sangrava em pesadelos e todas as sessenta e quatro personalidades de Jane. Seu genial Chefe paraplégico os conduzia com amor e todos eram felizes. Até que…

…vários membros da Patrulha do Destino caíssem mortos.

Mas não antes que o terrível Sr. Ninguém saísse do quadro que quase devorou Paris e formasse uma nova Irmandade do Dada, concorrendo assim a presidência dos Estados Unidos e Danny, a Rua, tivesse incríveis sonhos ao estilo Jack Kirby com os heróis imaginários da Legião do Estranho e ficássemos a par de assombrosos segredos em Aenigma Regis, ou Crazy Jane e todos os moradores da sua cabeça enfrentassem sua origem traumática de uma vez por todas e o pior pesadelo de Doroth escapasse à realidade com o nome de Candelabro seguido pelo pior pesadelo do Homem-Robô se tornando realidade quando descobrisse algumas verdades sobre o Chefe!

Se fosse qualquer outro título escrito por qualquer outro autor, eu diria que jogou informação demais nas páginas multicoloridas e além de não saber lidar com cada uma de suas ramificações, correria o perigo de ofuscar os leitores com tantas camadas de tinta. Literal e metaforicamente falando. Mas como é a Patrulha do Destino de Grant Morrison, tudo bem, eu acho…

A história da equipe segue de forma não linear, apresentando mistérios e revelando antigas questões. Um dos vilões mais exóticos (e olha que vimos muitos tipos exóticos) da Patrulha, o Sr. Ninguém, volta para disseminar o estilo de vida Dada entre a humanidade, nem bom nem mau, apenas caótico, o que desperta a ira do governo, ou talvez a camada interna e oculta do governo localizada no Pentágono, que envia um assassino para eliminar a nova Irmandade, tendo a Patrulha do Destino em seu caminho. É o movimento que nos concede ação e aventura “super-heroísticos” em meio a tantos eventos conceituais e ameaças abstratas inseridos dentro de um evento conceitual e uma ameaça abstrata.

Eu adoro Danny, a rua! E que oportunidade sensacional utilizada por Morrison para nos mostrar uma história de “realidade alternativa” com personagens similares a Patrulha do Destino através dos sonhos de Danny. O interessante foi que durante algumas crises místicas, a Patrulha foi auxiliada por Willoughby Kipling, um mago templário que já foi chamado por mim em resenhas anteriores de Constantine genérico. Me perguntava porque Morrison usou alguém tão parecido e não o próprio. Alguma rusga com a criação de Alan Moore? O fato é que o próprio John Contantine aparece no sonho de Danny como o herói “Hellblazer”… e se isso não for o deboche perfeito, eu desisto!

Esse arco finalmente revela detalhes sobre a essência do espírito negativo que possui Larry Trainor e Eleanor Poole, formando a entidade Rebis, e embora não explique nem de onde veio ou porque veio, mostra seu processo de reprodução e fala um pouco sobre a necessidade de usar hospedeiros humanos. Naturalmente, Morrison utiliza muita simbologia, então coloque nessa equação metáforas que fazem alusão a alquimia e sexualidade. Outro caso descortinado diz respeito a Jane, na verdade Kay Challis. Nós sabíamos que ela sofreu abusos do pai na infância e isso desencadeou o surgimento de seu transtorno dissociativo, resultando em sessenta e quatro personalidades catalogadas, cada qual com um poder diferente adquirido após a explosão da bomba genética no mega evento INVASÃO. Sempre vimos Jane muito frágil, apoiando-se desesperadamente nas outras personas para não se desintegrar de vez. A história mostra seu amadurecimento e o caminho para a cura. Se isso vai se manter? Veremos.

O grande fio condutor de tudo, o coração da Patrulha do Destino continua sendo o homem de lata, ou melhor, Homem-Robô, Cliff Steele. É através dele que descobrimos com assombro todos os podres de Niles Caulder, na forma das verdades aterrorizantes sobre suas ações desde a primeira formação da Patrulha, ao mesmo tempo em tudo vem a baixo pelas mãos do Candelabro, o pesadelo vivo trazido ao mundo pelos dons de Doroth.

E Grant Morrison deixa um gancho dramático preparando o leitor para o fim de sua psicodélica passagem pelo título.

Em 212 páginas em cores. Muitas cores.

Se liga no Santuário e não perca nenhuma resenha de PATRULHA DO DESTINO!

Vol. 1 – RASTEJANDO DOS ESCOMBROS

Vol. 2 – A PINTURA QUE DEVOROU PARIS

Vol. 3 – RUA PARAÍSO ABAIXO

Vol. 4 – SUPERMUSCULATURA

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