HOMEM ANIMAL – DEUS EX MACHINA

Buddy Baker é o super-herói conhecido como Homem Animal. Vegetariano, pai de família, membro da Liga da Justiça, combatente do crime e ferrenho ativista em prol dos direitos dos animais.

O dia a dia dele, no entanto, é bem algo bem atípico, mesmo para alguém com seus atributos superpoderosos.

James Highwater procura Buddy em sua casa e revela ter informações relacionadas ao vilão conhecido como Pirata Psíquico e o próprio Buddy, o que vai de encontro com a estranha experiência que ele teve quando esteve na África. Eles empreendem uma viagem ao Arizona, a uma reserva indígena, onde iniciam um ritual usando sementes de peiote (poderoso alucinógeno) a fim de descobrir a verdade sobre os mistérios que os cercam.

Recentemente o Homem Animal teve um choque de realidade sobre sua origem após conhecer alienígenas amarelos que revelaram a ele que houve uma reestruturação no continuum e seu passado era apenas o reflexo de uma realidade que não existia mais e precisava ser corrigida. Obviamente eles se referiam as mudanças cronológicas ocorridas no Universo DC durante a CRISE NAS INFINITAS TERRAS, e embora a maioria dos personagens se lembre desse evento como uma grande batalha contra o Antimonitor a fim de impedir que ele consumisse o universo, pouquíssimos se lembram das linhas do tempo anteriores, onde havia incontáveis Terras com continuidades distintas.

Providencialmente, no Asilo Arkham, o Pirata Psíquico, um dos poucos a se lembrar de como as coisas eram antes da Crise, começa a manifestar poderes estranhos e a trazer de volta personagens do Limbo, o lugar para onde supostamente eles vão depois de serem esquecidos.

O Pirata Psíquico durante a Crise nas Infinitas Terras

Embora tivesse passado por grandes choques, o Homem Animal ainda não havia nem chegado perto do pior. Sua família foi assassinada a mando de um grupo insatisfeito com sua atuação em defesa dos animais. Esse fato o desestruturou completamente, levando-o a tomar medidas extremas de vingança, usando um novo traje e posteriormente uma fracassada tentativa de viagem no tempo para tentar impedir a morte de sua esposa e filhos, voltando ao presente bem a tempo de lidar com Crise desencadeada pelo Pirata Psíquico.

O Pirata, por sinal, não apenas se lembra dos eventos pré-Crise, ele vai além e sabe que é um personagem de histórias em quadrinhos, embora ninguém acredite nele. Mas o Homem Animal teria essa comprovação ao chegar ele mesmo ao Limbo.

Após uma longa jornada, onde conhece os mais diferentes personagens desde os mais esdrúxulos até aqueles de que a gente nem se lembrava mais, mas até gostava quando era criança, Buddy enfim encontra seu criador.

Hoje em dia não é surpresa pra ninguém, mas à época da publicação, os leitores foram surpreendidos com a participação do escritor do título Grant Morrison como ele mesmo na revista, revelando ser o roteirista do Homem Animal, e o responsável por tudo que ocorre a ele, explicando assim lapsos de tempo, detalhes nunca explicados, pessoas reagindo normalmente a situações bizarras e outros clichês do mundo das histórias em quadrinhos de super-heróis. Ele explica a Buddy que coloca em sua história algumas de suas frustrações pessoais e cita a morte de sua gata, o qual lhe abalou profundamente. A conversa entre eles se prolonga, alternando esses momentos de metalinguagem com súbitos rompantes de ação contra vilões coloridos para nas palavras de Morrison, “não perder o interesse dos leitores”.

Agora, sem querer plantar nenhuma sementinha na cabeça de vocês, mas se vamos embarcar na viagem do roteiro, já pararam pra pensar que o roteirista que interage com o Homem Animal é apenas mais um personagem que acha que é o autor das histórias mas na verdade também está sendo escrito pelo verdadeiro Morrison? Então fica a pergunta… O “verdadeiro” Morrison está sendo escrito por quem? E nós, leitores, somos personagens de qual história?

O fato é que o que tinha tudo para ser um grande momento esdrúxulo, tornou-se uma das mais memoráveis passagens dos quadrinhos de super-heróis. Não que Morrison tenha inventado a metalinguagem, ou que um personagem encontrar seu autor tenha sido algo inédito na história das histórias em quadrinhos, mas além de não ser usual no gênero de super-heróis, que apesar de seus incríveis poderes sempre tentam ser o mais realistas possíveis (salvo quando propositalmente utilizam esse recurso para o humor), foi feito de forma magistral por ele, tendo construído esse caminho desde muitas edições atrás, fazendo da descoberta do Homem Animal algo realmente chocante e crível para ele, e não um simples recurso bombástico retirado da cartola na última hora.

Com a arte inconfundível de  Chaz Truog (neste encadernado auxiliado por Paris Culling), vimos o encerramento de um ciclo que revitalizou não apenas o personagem em si, mas a forma de muitos autores encararem um personagem dito de “segundo escalão”, e abrindo precedente para vários deles ousarem mais em suas narrativas. Homem Animal de Grant Morrison sempre foi mais sobre as estranhezas e bizarrices de um homem com poderes animais que por acaso é um super-herói do que especificamente sobre super-heroísmo, ainda ele o seja. Não à toa, a revista seria transferida futuramente para o selo adulto Vertigo, dando assim maior liberdade para os autores que viriam após essa despedida apoteótica de Morrison, sobre os quais falaremos nas próximas resenhas.

Se liga no Santuário e não perca nenhuma matéria!

Anteriormente em Homem-Animal:

Vol. 1 – O EVANGELHO DO COIOTE. 

Vol. 2 – A ORIGEM DAS ESPÉCIES.

LEIA também:

Resenha de TODAS as edições de Homem Animal nos Novos 52!

Homem Animal: Espécie Anormal

Homem Animal: Evolua ou Morra!

 

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